sexta-feira, 3 de novembro de 2006




A MORTE ABSOLUTA
Manuel Bandeira

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.

Um comentário:

Ciça disse...

Mano, tenho de parar de pavulagem e vir aqui mais vezes. Fico zuretinha com tanto post de uma vez e não sei por onde começar. O mais fresco... crinado monstros... os meus aqui já nasceram monstrados. O que faço??? P.S: onde arrumo essa camera??